Procobre - Aplicação Cobre - Eficiência Energética

Ações de Eficiência Energética em Sistemas Motrizes

O Centro de Excelência em Eficiência Energética – EXCEN, por solicitação do Procobre Brasil, desenvolveu o estudo “Balanço de Resultados das Ações de Eficiência Energética em Sistemas Motrizes“, onde buscou compilar, formatar e avaliar de modo similar os resultados dos principais Programas de Eficiência Energética implementados no Brasil nos últimos anos envolvendo sistemas motrizes.

Com o mapeamento desses programas de eficiência energética, foram analisados, entre outros dados e informações, valores investidos, ganhos energéticos, motores substituídos e a análise das barreiras encontradas. A partir dessa análise, esse estudo apresenta sugestões de aprimoramento e melhorias para alavancar projetos de eficiência energética envolvendo motores elétricos. Espera-se que a avaliação dos principais programas envolvendo a utilização de sistemas motrizes, suas eventuais deficiências e seus principais resultados, contribua para o aprimoramento e difusão das boas práticas nesses sistemas energéticos.

É bem conhecida a importância do emprego de sistemas motrizes nos diversos setores socioeconômicos, mas é particularmente no setor industrial onde tais cargas correspondem a uma parte significativa do consumo de energia elétrica. Dessa forma, os principais Programas de Eficiência Energética têm investido em projetos que envolvem os motores elétricos e seus sistemas de acionamento priorizando a indústria. Outras ações nesse sentido, como o Programa Brasileiro de Etiquetagem e o estabelecimento de índices mínimos de eficiência de motores, no contexto da Lei de Eficiência Energética, tem contribuído para promover a eficiência energética, induzindo a adoção de novas tecnologias, a adequação dos padrões de consumo e a conscientização dos responsáveis pelas tomadas de decisão.

Como consequência da aplicação Lei de Eficiência Energética, a partir de agosto de 2019 entrou em vigor o nível mínimo de rendimento para motores elétricos classe IR3 ou motores Premium, impondo uma elevação em sua eficiência mínima. Essa evolução decorrente dos esforços dos fabricantes para aumentar o rendimento destes equipamentos e do estabelecimento e aplicação de uma legislação e regulamentação indutora, traz ganhos relevantes, como a redução de custos com energia e aumento da competitividade, além de outros benefícios ambientais e energéticos para toda a sociedade. Nesse contexto, foi determinante a atuação do Comitê Gestor de Indicadores de Eficiência Energética (CGIEE), instituído em 19/12/2001, para cuidar da implementação da Lei de Eficiência Energética.

Além dessa iniciativa voltada para os motores novos, outras ações estão sendo desenvolvidas como aquelas envolvendo a reforma dos motores danificados. Segundo pesquisa realizada pela PUC/RJ, não é raro encontrar nas indústrias, motores elétricos operando inadequadamente por 10, 20, 30 ou mais anos. Se estima em aproximadamente R$ 1,6 bilhões a perda anual decorrente da operação e recondicionamento incorreto dos motores elétricos em operação no País. Empresas brasileiras retificadoras de motores que não cumprem os índices mínimos de eficiência definidos pela regulamentação, colocam no mercado motores com baixo rendimento que desperdiçam cerca de 8 TWh por ano. Este é o resultado da pesquisa realizada em 2012/2013 e conduzida pela PUC-Rio e pelo Procobre (Instituto Brasileiro do Cobre) envolvendo cinco estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia) e em 40 retíficas de motores selecionadas por amostragem. Levando em conta apenas os motores recondicionados anualmente, o prejuízo observado chega a R$ 480 milhões.

Além da simples substituição do motor ineficiente por outro mais eficiente, deve-se ressaltar a importância da Gestão Energética que poderá aumentar os ganhos obtidos. Nesse particular, além das iniciativas internas dos responsáveis pelas plantas industriais, cabe destacar a Norma NBR ISO 50001 de Gestão de Energia e os esforços dispendidos para sua divulgação e aplicação envolvendo agentes como o SENAI, Eletrobrás/Procel e o Procobre Brasil.

Para o Projeto Prioritário 002/2015 (ANEEL/PEE) envolvendo a substituição de motores principalmente no setor industrial, percebe-se uma boa aceitação por parte de clientes das distribuidoras envolvidas. Embora os resultados estimados podessem ter sido mais expressivos, há que se considerar tratar-se de uma primeira aplicação desse mecanismo de “bônus” para esse público alvo, podendo se esperar resultados mais elevados com a continuidade do projeto. Como exemplo notável, os resultados apresentados pelo projeto implementado pela Celesc, apresentaram um custo da energia conservada de R$ 125,77/MWh (calculado considerando tanto a parte aplicada pelo PEE como a contrapartida dada pelo consumidor, a vida útil dos motores em 10 anos e uma taxa de remuneração do capital de 8% ao ano).

Este custo é inferior ao custo marginal de expansão do sistema elétrico nacional (R$ 169,83/MWh, calculado pela EPE no Custo Marginal de Expansão – CME – Metodologia e Cálculo, 2017), comprovando que a eficiência energética em força motriz é uma alternativa economicamente atraente e viável. A mesma quantidade de energia pode ser disponibilizada, a preços mais baixos, sem a necessidade de novas obras e com efeitos positivos no meio ambiente.

Assim, a eficiência energética utilizando a força motriz e o sistema de “bônus” mostra-se interessante tanto para as indústrias como para a expansão do sistema elétrico nacional. No seu formato inicial, o “Programa de Bônus” é viável e recomendável não apenas pela sua praticidade e rapidez na implementação, mas também por ser de aplicação mais simples do que os demais projetos do PEE. Um possível avanço foi a inclusão na regulamentação do PEE do mecanismo de bônus, mas deve-se verificar se para o setor industrial, e particularmente no caso dos motores elétricos, não se perderá esse diferencial de flexibilidade e rapidez na sua implementação.

Em síntese, ao longo desse trabalho e das conclusões aqui apresentadas envolvendo os aspectos técnicos, legais e regulatórios, percebe-se claramente a importância de se considerar os motores elétricos no contexto do fomento à eficiência energética no Brasil, reforçando e avançando as medidas de uma Política Energética efetiva e racional.

Os resultados apresentados expressam o ponto de vista de seus autores e foram baseados em relatórios públicos, informações e dados fornecidos pelas seguintes instituições: ANEEL, ELETROBRAS/PROCEL, BNDES, WEG, a quem expressamos nossos agradecimentos.

Profs. Jamil Haddad e Luiz Augusto Horta Nogueira

Centro de Excelência em Eficiência Energética – EXCEN

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