Mais de 2 mil compradores de fios irregulares produzidos no ES são notificados

Na lista de compradores de todo o país estão pessoas, condomínios, clínicas médicas, escolas, faculdades, igrejas, lojas de material de construção e também órgãos públicos. Todos deverão analisar a qualidade dos fios e os possíveis riscos de consumo excessivo e de superaquecimento.

Mais de 2 mil compradores, incluindo lojas, órgãos públicos e prefeituras, além de 60 construtoras de quase todo o país, foram notificadas pela Polícia Civil do Espírito Santo para analisarem a qualidade dos fios elétricos usados em construções e também para revenda.

Todos eles são possíveis clientes da fábrica de fios e cabos elétricos Luzzano. Sediada em Boa Vista, na Serra, na Grande Vitória, a empresa foi fechada em agosto deste ano durante a Operação Elétron, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor junto com a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) e com o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem).

Juntos, os órgãos identificaram que os fios elétricos produzidos na fábrica estavam fora do padrão por usarem uma quantidade de matéria-prima, ou seja, de cobre, menor que a necessária.

"Isso causa o superaquecimento da fiação, leva ao aumento do consumo de energia e pode levar ao derretimento do fio e ao incêndio residencial", explicou o delegado Eduardo Passamani, que comanda a operação.

Um desses casos aconteceu na cidade de Aracruz, no Norte do estado, no dia 11 de agosto. Foi quando uma caixa de energia de uma casa que utilizava fios da Luzzano explodiu.

As investigações levaram à prisão do dono da Luzzano, o empresário João Ramos Lopes, em agosto. No mesmo mês, cerca de 40 mil metros de fios irregulares que estavam sendo vendidos em 10 lojas da Grande Vitória foram apreendidos.

O levantamento feito identificou que entre os 2.100 possíveis compradores dos fios, que já foram notificados, estão pessoas físicas, condomínios, clínicas médicas, escolas, faculdades, igrejas, lojas de material de construção e também órgãos públicos de todos os estados brasileiros, com exceção do Piauí.

No Espírito Santo, mais de 400 lojas e revendedoras compraram os fios, assim como pelo menos 30 condomínios. Todos devem realizar a fiscalização por conta própria.

Já no caso dos hospitais, escolas e órgãos públicos, a avaliação será feita pela própria Polícia Civil em parceria com o Sindicato das Empresas de Condutores Elétricos de São Paulo.

Segundo a Polícia Civil capixaba, na lista de órgãos públicos a serem avaliados no estado está a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Uma construtora, que presta serviços de iluminação pública para a Prefeitura da Serra, também deverá fazer a análise. Outras duas prefeituras foram identificadas, mas os nomes não foram revelados.

Também devem passar por avaliação cinco escolas, 10 igrejas e três postos de combustível, além de restaurantes e clínicas.

Em nota, a Sefaz afirmou que não comprou os fios da Luzzano. Segundo o delegado Eduardo Passamani, como as notificações foram feitas com base na listagem dos clientes feita pela própria empresa, é possível que alguns dos notificados tenham apenas manifestado o interesse de comprar os fios, mas não chegaram a finalizar a compra.

Em uma nota publicada na porta da fábrica, a empresa Luzzano afirmou que as acusações são graves e que precisam de comprovação. A empresa disse ainda que providências estão sendo tomadas para que a eficácia dos produtos seja certificada.