Mineradora japonesa cria processo mais barato para reciclar matérias nobres de baterias

A Sumitomo Metal Mining começará a reciclar cobalto, lítio e outros materiais nobres de baterias usadas de veículos elétricos (EVs), empregando um processo proprietário de custo competitivo.

Esses materiais são usados em cátodos de baterias de íon-lítio, o tipo mais comum em veículos elétricos, e espera-se que a demanda global por eles só cresça. A descoberta da Sumitomo Metal poderá impulsionar o suprimento doméstico do Japão desses materiais, beneficiando os fabricantes de baterias EV do país.

Aproveitando sua experiência em refino de cobre, a Sumitomo Metal desenvolveu um método para extrair cobre, níquel, cobalto e lítio de baterias EV usadas, esmagando-as, aquecendo o pó resultante a temperaturas específicas e ajustando os níveis de oxigênio. A empresa considera o processo o primeiro desse tipo no mundo.

A Sumitomo Metal planeja colocar uma instalação de reciclagem em funcionamento no Japão até 2023. Ela terá capacidade para processar 7 mil toneladas de baterias trituradas por ano, extraindo 200 toneladas de cobalto, suficientes para 20 mil baterias EVs.

Rivais como JX Nippon Mining & Metals e Umicore também estão trabalhando em maneiras de reciclar esses materiais, mas estão esbarrando em custos mais altos pelo uso de produtos químicos caros no processo.

A Sumitomo Metal informou que seu método extrai materiais com qualidade de mineração a um custo relativamente baixo e em volumes comerciais. A empresa disse que seu método permanecerá competitivo mesmo se o lítio extraído cair para cerca de US$ 5 ou US$ 6 por quilo, ou se os preços do níquel e cobalto voltarem às cotações de poucos anos atrás.

A demanda relacionada a EVs fez com que os preços desses materiais disparassem, e adquiri-los tornou-se cada vez mais desafiador para as empresas em todo o mundo. O lítio mais que dobrou em um ano, para quase US$ 30 por quilo, enquanto o cobalto aumentou cerca de 80%, para cerca de US$ 60 mil por tonelada.

Além disso, muitos desses materiais apresentam riscos de conformidade e de cadeias de suprimentos. Cerca de 70% do cobalto mundial é extraído da República Democrática do Congo, alguns com o uso de mão de obra infantil, e cerca de 60% é processado na China.

Algumas montadoras estão resolvendo o problema por conta própria para minimizar esses riscos. A Tesla garantiu no ano passado os direitos de mineração de lítio em Nevada.

A pressão está crescendo para usar mais materiais reciclados em baterias de veículos elétricos. De acordo com os regulamentos propostos em novembro, a União Europeia exigirá que as baterias EV contenham um mínimo de 12% de cobalto reciclado e 4% de lítio e níquel reciclados até 2030. O Grupo Volkswagen começou a testar maneiras de extrair esses materiais de baterias descartadas.

As baterias EV geralmente perdem cerca de 30% de sua capacidade e precisam ser trocadas após uma década. As baterias velhas são frequentemente reutilizadas como células de armazenamento estacionárias, o que significa que não são descartadas por mais alguns anos.

“Provavelmente levará até pelo menos 2035 para que os esforços de reciclagem realmente decolem”, disse um executivo de materiais.

Por enquanto, a Sumitomo Metal planeja obter pequenos volumes de baterias trituradas e usar os materiais extraídos para a produção interna de cátodo. Ela pretende investir no campo agora para obter uma vantagem sobre seus rivais assim que a reciclagem de baterias se tornar mais difundida.