Prefeitura de Mucajaí propõe lei para inibir furto de fios elétricos

Caso o projeto seja aprovado, ferros-velhos e sucatarias serão obrigados a identificar por quem o material foi vendido

Casas, praças, ginásios esportivos, secretarias municipais, igrejas e até cemitérios. Nenhum deles escapou da ação de ladrões de fios de cobre em Mucajaí, metal nobre que é um excelente condutor elétrico e gera muito interesse no mercado.

Esse tipo de furto não é novidade, mas desde o ano passado o cobre mais que dobrou de preço diante da valorização do dólar, somado à escassez no mercado e alta demanda. A situação foi classificada pela prefeita de Mucajaí, Eronildes Gonçalves, mais conhecida como Nega, como insustentável e levou a prefeitura a suspender temporariamente a ação de ferros-velhos e sucatarias.

Durante entrevista ao programa Agenda da Semana, apresentado pelo economista Getúlio Cruz, na Rádio Folha FM 100.3, a prefeita destacou que enviou um projeto de lei para a Câmara Municipal, para regulamentar a compra e venda de cobre, a fim de evitar a receptação de produto de furto. Um dos itens previstos na lei é que os vendedores de fios sejam cadastrados e devidamente identificados.

“Fizemos audiência pública na Câmara de Vereadores, com representantes da Segurança. A sociedade estava pedindo socorro. Muitas pessoas relatam que estavam dormindo e no meio da madrugada, acabava a energia por causa do furto de fios”, justificou.

Ela conta que o crime atingiu a recém inaugurada praça João Carreira, sucessivamente, mesmo após proteção da fiação usando concreto, o que não inibiu o crime. O mesmo aconteceu no cemitério municipal, no ginásio de esportes também inaugurado recentemente, em igrejas e na Secretaria Municipal de Educação.

Quatro empresas estão cadastradas no município para atuar na revenda de itens como os fios de cobre. “Eu não quero tomar o direito de ninguém trabalhar, nós só suspendemos as atividades por 15 dias. Essa semana mandei um projeto de lei para a Câmara de Vereadores. Amanhã vai ter uma audiência pública lá e em seguida o projeto será votado e eu vou sancionar rapidamente”, destacou.

A prefeita pontuou que o Ministério Público está ciente da situação, e que empresários do setor estão convidados para participar da audiência, e, se for o caso, propor ajustes no texto do projeto de lei. “Tentamos solucionar de todo jeito, e colocamos esse decreto para regulamentar a nossa lei. Temos que dar um basta nisso, mas, como gestores, muitas vezes tomamos medidas que não agradam a todos”.