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BHP aposta alto em níquel, material essencial à indústria de veículos elétricos

A gigante de mineração anglo-australiana BHP está fazendo um investimento maciço em níquel, material crítico encontrado em baterias de veículos elétricos que está alimentando a próxima geração de automóveis.

O grupo sinalizou sua intenção no início deste mês ao anunciar que gastará 140 milhões de dólares australianos (US$ 96,6 milhões) ao longo de dois anos para explorar jazidas de níquel em torno de um empreendimento existente.

“Este ano será o maior gasto anual para exploração em Nickel West desde 2005”, disse Jessica Farrell, presidente de ativos da BHP Nickel West, em uma conferência do setor em 3 de agosto.

A BHP deu seguimento em 5 de agosto, emitindo um plano para assumir completamente a OZ Minerals, uma empresa de mineração de médio porte especializada em cobre e níquel. O acordo proposto, de 8,3 bilhões de dólares australianos, causou ondas de choque na indústria.

Mas a OZ recusou a oferta, dizendo que a empresa estava subvalorizada. Os ativos de cobre e níquel do portfólio da OZ são indispensáveis para veículos elétricos, que por sua vez vão propiciar a redução de emissões de carbono.

O executivo-chefe (CEO) da BHP, Mike Henry, até agora expressou relutância em aumentar a oferta, apesar das especulações sobre ofertas concorrentes pela OZ.

“Vamos permanecer disciplinados”, disse Henry em uma teleconferência de resultados em 16 de agosto.

Por trás da investida agressiva da BHP no níquel está o fato de que o grupo atingiu um marco importante em sua jornada de anos de eliminação de ativos de combustíveis fósseis.

Em junho, a BHP vendeu a totalidade de suas operações de petróleo e gás na Austrália. Este ano, a empresa concluiu as vendas de minas de carvão térmico na Colômbia e de sua participação majoritária em uma joint venture de carvão metalúrgico com a japonesa Mitsui & Co. A BHP deve fechar todas as minas de carvão térmico na Austrália até o fim da década.

Os fortes ganhos ultimamente deram fôlego à BHP. No ano encerrado em junho, seu lucro líquido multiplicou-se por 2,7 vezes, para US$ 30,9 bilhões. Os fundos recebidos ajudaram a promover investimentos em cobre e níquel, que Henry descreveu como commodities “orientadas para o futuro”.

O níquel responde por menos de 3% da receita mais recente da BHP, então o grupo está de olho no metal em antecipação ao aumento dos veículos elétricos.

“A eletrificação de automóveis está ganhando ritmo e esperamos que, até 2030, cerca de 60% de todas as vendas de carros sejam de elétricos”, disse Farrell na conferência, com a expectativa de que a participação suba para 90% em 2040.

A virada para o níquel abre as portas para a BHP diminuir sua exposição ao negócio de minério de ferro e às vendas chinesas. O minério de ferro contribuiu com mais de 50% da receita no ano passado, acima dos cerca de 30% em 2012. A China gerou 65% da receita em 2021, mais que o dobro dos 30% em 2012.

A cadeia de suprimentos global em torno de semicondutores está sendo redirecionada em resposta às tensões sino-americanas. Quando se trata de recursos críticos, como minério de ferro e metais não ferrosos, os investidores estão preparados para instar a BHP, em particular, a desenvolver um modelo de negócios que não dependa excessivamente da demanda chinesa.

Durante a teleconferência de resultados de 16 de agosto, Henry previu que a demanda chinesa por aço ficará estagnada até o final da década.

“Fica bem claro que vemos o aço (demanda) entrando em uma fase de platô e, em seguida, no fim desta década, começando a recuar na China”, disse Henry.

A BHP procura expandir sua rede de clientes para o Ocidente ao adotar o níquel. Em julho, a BHP e a Ford Motor assinaram um memorando de entendimento para o fornecimento do metal e as entregas podem começar já em 2025.

No negócio de veículos elétricos, as montadoras estão deixando de depender totalmente dos fabricantes de baterias para comprar diretamente de empresas de mineração, para que o fornecimento estável de recursos críticos seja mantido.

No ano passado, a BHP firmou contratos semelhantes com a Tesla e a Toyota Tsusho, braço comercial do grupo Toyota Motor. Por meio desses acordos, a BHP poderá se envolver com as montadoras de maneira flexível, facilitando o desenvolvimento do cliente.

Os rivais mais próximos da BHP são a anglo-australiana Rio Tinto e a brasileira Vale. No entanto, a Rio Tinto está um passo à frente da BHP em termos de abandonar os combustíveis fósseis e se voltar para commodities de veículos elétricos.

Em 2018, a Rio Tinto concluiu o desinvestimento de toda a sua participação no carvão, tornando-se o primeiro grande desenvolvedor de recursos a ter um portfólio livre de combustíveis fósseis. A empresa passou a investir em projetos de lítio em larga escala na Sérvia e na Argentina.