'Caminhos do Cobre' fecha cinco gigantes da reciclagem por receptação e termina com pelo menos oito presos

‘Hoje nós fomos no topo da cadeia’, comentou o delegado Felipe Curi sobre a ação que mira os grandes empresários do mercado da revenda de metais furtados ou roubados
Os delegados Gustavo Castro, titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), e Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) – Robson Moreira/Agência O Dia

Rio – Oito presos em flagrante, 20 conduzidos à delegacia, toneladas de metais furtados apreendidos, cerca de R$ 200 mil em espécie encontrados e cinco empresas gigantes da reciclagem interditadas. Esse foi o balanço da operação “Caminhos do Cobre” apresentado pela Polícia Civil em coletiva de imprensa, no fim da tarde desta quarta-feira. “Hoje nós fomos no topo”, disse o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE).

“As ações policiais iam só até aqui (referindo-se aos ferros-velhos), mas hoje nos fomos num patamar acima, que são essas grandes recicladoras. Hoje nós fomos no topo. Por sua vez, essas recicladoras pegam esse material, transformam ele em matéria prima e revendem para indústria, então é um ciclo. (…) Mas muito importante que hoje foi dada uma resposta contundente”, declarou o diretor.

A Operação “Caminhos do Cobre, que tinha como objetivo combater a receptação de materiais metálicos, principalmente cobre, em depósitos de reciclagem, aconteceu na capital e na Baixada Fluminense. Ao todo participaram da ação 150 policiais em cumprimento a cinco mandados de busca e apreensão nas empresas de reciclagem. Os estabelecimentos, segundo Curi, seriam os maiores de todo estado atuando na reciclagem de metais.

“Hoje nós conseguimos estancar toda essa cadeia criminosa que vem desde os pequenos furtos, vão para os ferros-velhos e, em seguida vão para essas grandes recicladoras, que transformam esse material ilícito em matéria prima”, explicou.

Segundo ele, a cadeia criminosa dos metais furtados começa com usuários de drogas, principalmente aqueles em situação de rua, funcionários e ex-funcionários de concessionárias de serviços como telefonia, energia e até de transportes como a Supervia. Essas pessoas furtam ou roubam os materiais como fios de cobre e revendem para os ferros-velhos, que são a segunda fase do caminho. Em seguida, esse material é vendido para as recicladoras. Essas empresas, quase sempre de grande porte, transforma o material ilícito em matéria prima e revende para a indústria.

“Toda essa estrutura faz parte de um ciclo, que, pensando dessa forma, faz com que a concessionária que teve seus cabos furtados ou cortados, acabe tendo que pagar pelo próprio patrimônio de novo”, disse o delegado.

Os oito presos, segundo a investigação, foram pegos em flagrante e seriam responsáveis por essas cinco recicladoras. Em uma delas, inclusive, os agentes da Polícia Civil encontraram resistência na entrada e precisaram arrombar o portão. A situação ocorreu na Estrada do Quitungo, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio.

De acordo com imagens feitas nos locais, além de enorme quantidade de fios de cobre, metais e outros materiais, também foram encontrados trilhos de trem, tampas de bueiros, aros de tampas e até baterias estacionárias. Os equipamentos teriam sido furtados de composições da SuperVia.

Outro fato que chamou atenção dos agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), delegacia que coordenou a operação, foi a existência em um desses centros de reciclagem de cerca de 20 empresas de menor porte. As empresas atuariam também na compra e venda e transformação desses metais em matéria prima para a indústria, mas há suspeitas de que elas seriam usadas em esquema de lavagem de dinheiro.