Peru acalma mercados com plano para explorar reservas de cobre

Governo Castillo indica que projetos com rentabilidade social irão em frente, os que não têm rentabilidade social, não
Guadalupe Pardo/AP

O novo governo socialista do Peru trabalha com o setor de mineração em uma nova abordagem para as relações com as comunidades e para reduzir a burocracia com o objetivo de desbloquear mais riqueza mineral.

“Todas as empresas estão contentes até agora”, disse o ministro de Minas e Energia, Iván Merino, em entrevista no sábado. “Todos concordamos que os projetos devem ter uma nova face social, que precisamos de um novo pacto.”

O tom conciliador e pragmático do ministro pode ajudar a acalmar os temores alimentados durante o debate da campanha eleitoral de maior intervenção do Estado nos recursos naturais, o que poderia encolher os investimentos e a produção futura. O Peru é o maior produtor de cobre depois do Chile, e o mercado conta com o desenvolvimento dos depósitos gigantes do país andino para atender à crescente demanda por energia limpa.

As relações tensas entre os projetos de mineração e, muitas vezes, comunidades rurais isoladas, combinadas com o lento licenciamento, têm prejudicado o avanço do setor.

Dos 60 projetos de mineração em diferentes estágios, o governo pretende focar primeiro nos que estão perto de serem iniciados e liberar aqueles que estão parados devido à burocracia.

“Reconhecemos que o Estado não tem estado presente, que o melhor caminho é o diálogo direto, com troca de informações, para que não haja distorções”, disse Merino.

Perguntado sobre a iniciativa Tía María da Southern Copper, Merino disse que seu trabalho era entregar o programa do presidente peruano, Pedro Castillo, que se disse contrário a esse projeto.

“O presidente já disse: projetos com rentabilidade social irão em frente, os que não têm rentabilidade social simplesmente, não”, disse Merino.

Existem depósitos no Peru que são mais ricos e maiores, com a região entre Apurimac e Cuzco contendo minerais suficientes para se equiparar à produção do Chile, disse.

O governo Castillo estuda uma proposta para reduzir os impostos e transferir mais receita da mineração ao país, embora isso ainda precise passar por diferentes departamentos do governo e pelo Congresso, liderado pela oposição.

A mensagem para as empresas é que o Ministério da Mineração garantirá regras claras e atuará como mediador e facilitador para agilizar “esse emaranhado burocrático”, afirmou. “O que vamos fazer é promover a indústria para que as coisas sejam bem feitas e não sejamos um obstáculo.”

Em algum momento, o Estado peruano poderá ter um papel mais ativo em setores estratégicos e até ser acionista em alguns projetos, disse, mas a prioridade é ordenar processos e solicitações que se prolongam por mais de um ano.

Sobre os campos de gás de Camisea, que Castillo prometeu nacionalizar durante a campanha, o governo está estudando se suas percepções são sustentadas por dados.

“Primeiro deve haver mais gás, para haver mais gás deve haver maiores reservas e para haver maiores reservas, deve haver mais exploração”, disse o ministro.

O governo recebeu manifestações de confiança ao conversar com líderes da indústria de commodities. Um sinal de confiança é que algumas empresas acabam de pagar os impostos atrasados.

“Não estamos interessados em questões ideológicas”, disse. “Estamos gerando consenso.”