Preço dá fôlego para metais básicos na Vale

Produção da mineradora cai no 2º tri, mas cotações em alta compensam volumes

A queda da produção de níquel e cobre da Vale no segundo trimestre não deve necessariamente se traduzir em um desempenho pior do segmento de metais básicos no balanço que será divulgado na semana que vem. Os preços altos das duas commodities no mercado internacional devem garantir uma forte receita no segmento, a despeito da paralisação da produção em Sudbury, no Canadá, onde os trabalhadores ligados ao United Steelworkers (USW) Local 6500 rejeitaram proposta de acordo coletivo e permanecem em greve.

O resultado mais imediato dessa paralisação em Sudbury foi visto no relatório de produção da empresa, divulgado na segunda-feira. A produção de níquel caiu 15,3% frente ao segundo trimestre de 2020, enquanto a de cobre recuou 13% na mesma comparação.

Daniel Sasson, analista de mineração e siderurgia do Itaú BBA, disse que, embora os volumes de níquel e cobre possam ter desapontado, os preços dos dois produtos continuaram fortes. O cenário de preços faz Sasson prever que o negócio de metais básicos da Vale possa gerar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 1 bilhão no segundo trimestre, semelhante ao registrado no período janeiro-março deste ano.

Ontem, o cobre estava cotado a US$ 9.265 a tonelada, enquanto o níquel valia US$ 18.870/tonelada. No primeiro trimestre, quando o setor de metais básicos da Vale registrou Ebitda ajustado de US$ 1,011 bilhão, a cotação média do cobre em Londres foi de US$ 8.504/tonelada, já o do níquel foi de US$ 17.570/ tonelada.

Sasson disse que nos metais básicos a parte mais negativa foi o fato de a Vale ter descontinuado a meta de produção de níquel e cobre para este ano. No relatório de produção, divulgado na segunda-feira, a empresa colocou a meta de produção desses produtos “sob revisão”. “Eles [Vale] estão esperando um desfecho da greve no Canadá para ver como será a retomada da produção”, disse.

Em junho, a Vale comunicou ao mercado que os empregados ligados a United Steelworkers (USW) Local 6500, representante dos funcionários da produção e manutenção em Sudbury, votaram pela rejeição da oferta proposta pela companhia para um novo acordo coletivo de cinco anos, resultando na interrupção das atividades em Sudbury.

No relatório de produção, a empresa reconheceu que a greve dos funcionários de Sudbury foi determinante para a queda de 14,3% no volume de níquel acabado sobre o primeiro trimestre. De abril a junho, a Vale produziu 41,5 mil toneladas de níquel. A produção de cobre atingiu 73,5 mil toneladas no segundo trimestre, queda de 3,9% sobre o primeiro trimestre. A redução também foi motivada pela paralisação dos empregados em Sudbury, embora tenha sido parcialmente compensada pelo desempenho mais robusto em Salobo e melhor performance nas operações de Sossego, ambas no Pará.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a Vale quer o diálogo com os empregados em Sudbury e está iniciando um processo de mediação para tentar chegar a um acordo e encerrar a greve. Uma fonte disse que o acordo é “generoso” com os empregados atuais, mas o sindicato tem questão de princípios. A empresa propôs, por exemplo, mexer nos benefícios pós-aposentadoria dos novos empregados, mas o sindicato não aceita.