MAIOR FORNECEDORA DE COBRE AUMENTA PRODUÇÃO APESAR DE COVID-19

A Codelco, maior produtora mundial de cobre, tem algumas palavras tranquilizadoras para operadores preocupados que o aumento dos casos de Covid-19 no Chile interrompa o fornecimento do metal.

“Definitivamente não”, disse o presidente do conselho da empresa, Juan Benavides, quando questionado se as maiores restrições anunciadas nesta semana afetariam as operações ou embarques da empresa. A Codelco conseguiu elevar a produção no primeiro trimestre, apesar do surto de Covid-19 no Chile, disse em entrevista. “Por enquanto temos um aumento de produção este ano.”

Ao longo da pandemia, minas chilenas que respondem por cerca de 25% da oferta global foram capazes de manter altos níveis de produção com mudanças de turno, testes e rastreamento e adiamento de atividades não essenciais. Essas medidas têm ajudado fundições chinesas famintas por matérias-primas em meio a cortes de oferta em outros lugares e recuperação da demanda.

Ainda assim, nos últimos meses, a produção do Chile ficou ligeiramente abaixo dos níveis há um ano, sinalizando que minas como Escondida, da BHP, podem estar sentindo o impacto das medidas de combate à Covid.

Agora o setor enfrenta outro teste de peso. Apesar de implantar um dos programas de vacinação mais rápidos do mundo, os casos de Covid e hospitalizações aumentaram para níveis recordes, o que levou autoridades a fechar fronteiras para cidadãos e residentes estrangeiros e exigir que todos os motoristas de caminhão apresentem um teste negativo antes de entrar no país. Embora o governo afirme que as novas medidas não vão interferir na mineração ou transporte marítimo, o nervosismo em relação ao fornecimento fez com que o cobre subisse para a maior cotação em duas semanas na terça-feira.

“O programa que iniciamos no início desta pandemia, que aperfeiçoamos ao longo do tempo, nos deu excelentes resultados”, disse Benavides. Embora possa haver nervosismo sobre o fechamento das fronteiras, “de forma alguma isso afeta nossas operações ou processos produtivos”.

Embora o Chile ainda não tenha divulgado a produção de cobre de março, na quarta-feira o banco central informou que a receita de exportação do metal subiu para o maior patamar em oito anos no mês passado, reforçando o tom otimista de Benavides.

O cobre subiu para o maior nível em quase uma década no final de fevereiro com a perspectiva de que as vacinações e estímulos levariam a uma forte recuperação global. Desde então, os preços desaceleraram em meio a novos lockdowns e valorização do dólar.

Ainda assim, muitos analistas apostam em mais ganhos devido à recuperação da demanda global e oferta limitada. O plano de infraestrutura de US$ 2,25 trilhões do governo Biden reforça essa perspectiva.

Os fundamentos do metal são fortes, mas isso não significa que o cobre entrou em um novo superciclo, disse Benavides. A demanda provavelmente crescerá entre 2% e 3% anualmente nos próximos cinco anos, ultrapassando o crescimento da oferta de cerca de 2%. Isso se compara ao salto de dois dígitos do consumo da China na última grande alta dos preços.

“Pode haver um pequeno déficit, mas os mercados sempre se ajustam com tecnologias e substitutos”, disse. “Além disso, esse preço é um incentivo, talvez para desenvolver novos projetos com custos ligeiramente mais elevados.”